Foi como sempre foi.
Revirou as gavetas e os armários e nada achou - para além do habitual.
E o habitual é o mesmo de sempre: as mesmas folhas de Outono que o vento faz dançar do mesmo jeito, porque não dá para ser de outro.
Foi como sempre foi porque não quis que fosse diferente, mesmo sem querer que fosse igual.
E o mal das coisas é não terem um sentido diferente daquele que não se sente, nem um igual àquele que se pensa. E é mais por pensar que se sente do que é por sentir que se pensa, ou ao contrário.
É como fazer sem saber que se faz. É como dizer sem saber que se diz. É como saber sem saber que se sabe. É desse estilo ou do outro, se não for dos dois.
E andamos nisto ou naquilo se não for em ambos, se não for em nenhum.
E uma pessoa habitua-se.
Conforma-se ou faz de conta que a vida é bonita e acha-a assim por olhá-la tanto de frente, de trás ou de esquina – não importa –, mas com a locomoção e movimento de braços, de cintura e de pescoço impedidos. Como se o chão colasse os sapatos, como se a cadeira colasse os isquios e como se as paredes colassem a testa que lhes bate com força.
Seria assim, de verdade. De mentira não, que é feio e magoa.
De mentira não, que começa numa e se estende noutra. De verdade sim, que acaba rápido, mesmo que se tenha feito devagar. .. Agora não, que vai doer. Agora não, que é difícil.
Foi como sempre foi. E é por saber que foi assim que não será de outro jeito.
Agora sim, que já não se vai a tempo!
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